Esteira, vento e ela

esteira

Vento que sopra, brisa que afaga, chuva fina que cai. E ela, insistentemente em uma esteira, busca moldar suas curvas, seus pensamentos e fortalecer o seu coração enquanto o marcador acelera. Seus pequenos pés correm e correm incansáveis numa louca aflição para acompanhar o marcador.

As canções envolventes de Simon and Garfunkel, um pouco lentas para o momento, parecendo não querer ver o seu cansaço, fazem parte deste cenário saudável.

É assim que ela encerra suas tardes transpiradas e inspiradas, do 8ª andar de seu apartamento, onde aprecia toda a movimentação da rua onde mora. Encanta-se com o corre-corre dos que voltam do trabalho com passos tão apressados quanto os dela, mas que não têm o prazer nem a graça sentidos por ela, na amiga e companheira esteira.

Amor e desenho humano

abraco_familia

“O amor de Deus excede a todo desenho humano”. Li esta frase em um livro do grande teólogo inglês James Alison. O autor, em uma de suas passagens, discorre sobre a inclusão e a exclusão das “pessoas que atualmente chamamos de gay” e foi muito feliz ao colocar que o amor de Deus excede a todo desenho humano. Soou forte, profundo e, ao mesmo tempo, tão leve e muito me impressionou. Fiquei refletindo… Se soubéssemos absorver um pouco das formas de amar, o mundo seria outro.

Confesso que não é fácil falar ou debater sobre ‘homossexualidade’ se não sairmos do campo de um ‘nós versus eles’ e entrarmos em outro, o do ‘nós versus nós’, reconhecendo que todos somos iguais, que todos merecemos o respeito, que todos merecemos amar e que ninguém é melhor que ninguém. Nem aos olhos do mundo, muito menos aos olhos de Deus.

Quando a questão é homossexualidade, reina um clima polêmico em muitos lugares: escolas, lares, ambientes de trabalho, Igrejas etc. Quantos lares se dissolvem ao descobrir e discordar que um de seus filhos é homossexual. De início, se essas famílias com filhos gays mergulhassem no trabalho, mesmo que lento ou doloroso, de se verem livres de ressentimentos, homofobias e preconceitos, descobririam que as dores, e não só as alegrias, nos ensinam coisas excepcionais!  Descobririam, ainda, que toda família é abençoada por Deus e em qualquer situação existencial, gay ou não, somos todos amados por Ele e “esse amor excede a todo desenho humano”. Filho nenhum, ou qualquer pessoa que seja, deve ser colocada em extremo sentimento de rejeição pela sua condição de homossexual. Imaginem um filho ou filha assombrados pela rejeição familiar por sua condição de gay, perdendo tudo que poderia lhe dar uma “sensação de pertencimento” – ou seja, perdendo sua própria família ao ser excluído dela!

Óbvio que não é fácil nem para os pais e nem para o filho ou filha ‘gay’ continuar vivendo num campo minado de meias verdades, de silêncio medroso. E, sim, saudável é para todos, aprender a viver esses assuntos de maneira adulta, à luz da verdade, honesta e serenamente. Ninguém deve habitar o espaço do ódio ou do preconceito a ponto de rejeitar, excluir ou ignorar um membro de sua família ou qualquer pessoa por ser um homossexual. Para tanto, é essencial focar no que é estritamente humano, ou seja: amar sem condições. Afinal, somos todos iguais: negros, brancos, pardos, homens, mulheres, homossexuais, heterossexuais, feios ou bonitos.

Que as famílias com filhos/filhas ‘gays’ não parem no ressentimento e jamais sintam que tal condição representa o fim, mas um novo começo com mais união, diálogo, compreensão, inclusão e com um olhar para a vida sem preconceitos.

Saudade

garota-campoO que é a saudade? Uma forma de presença? Um reviver o passado? Viver de novo o que foi bom? Sim. Tudo isso e muito mais é a saudade. Essa palavrinha doce e leve, suave ao pronunciá-la.

Quem não vive uma saudade? Ah… Através da saudade, consigo ver-me dentro de minha infância. São vários e lindos momentos que não se apagarão e que saudosamente gosto de puxá-los da minha memória e transportá-los para tão perto de mim, que chegam a parecer presente e não passado; e isso é muito bom! Correndo pelas ruas, seguindo a enxurrada, jogando bola, peteca, brincando de passar anel, de roda… Ah, saudade, como gosto de você tão presente e em momentos tão ternos de minha vida!

Adolescente, vejo-me tão saudosa de minha escola…, daquelas carteiras da sala de aula, de madeira bem lisinha, covinha para a borracha e caminha para o lápis. E a sineta, como me esquecer daquele toque vivo, chamando-nos para o melhor de tudo, o recreio? E assim é que eu, através da saudade, vejo a minha saudosa carteira atravessando a minha infância, adolescência e juventude.

Saudade doida que bate no peito, também, são os momentos felizes ao redor da mesa de jantar da nossa casa (casa de mamãe e papai), dividida direitinho para 14 irmãos. Isso mesmo! Éramos oito meninas e seis meninos. Aquele banco comprido que acolhia a todos com sua táboa larga e igualmente lisinha.

Noites de luar… Quantas eu vivi… e elas, saudosamente me vêm à memória junto à minha singela e bela juventude. Saudade da fazenda do meu pai – Pedra Redonda era o seu nome – talvez pelas grandes pedras fincadas no alto das montanhas daquele lindo lugar, onde corria um rio largo e amigo. Nele, eu e minhas irmãs tomávamos banho, sol no rosto; animais correndo, bezerro mamando, pés de laranja e jabuticaba não faltavam ali! Quanta pureza e quanta saudade daquele tempo, daquela casa de escada enorme e alta de dar medo de cair. E que saudade mais sadia, mais desejada pode acariciar minhas lembranças? E como não amar essa saudade que me presenteia com tudo que foi bom em minha vida?

Venha, saudade! Quero senti-la sempre, sempre! Você que não tem janelas e nem portas e pode entrar sem bater e a qualquer hora!

15/01/2016

Desenho, guitarra e “quadrinhos”

pens-1743305_640

Você veio linda, espertinha, cabelos negros e arrepiadinhos, tão lisos que os laços não se fixavam nos fios.  Uma criança alegre e feliz até demais. Infância tranquila. Amava a todos e com todos brincava. Nunca chorava, ou melhor, quase não chorava tão alegre e contente era. Incrível seu senso de humor. Sempre muito terna e carinhosa, de bem com a vida. Gostava muito de desenhar e de tomar sorvete.

O tempo passa. Você cresce. Adolescente um tantinho rebelde, como toda adolescente, mas continua alegre, linda, carinhosa, estudiosa…? Nem tanto, gostava mesmo era de desenhar, de tocar guitarra e mais dedicava à música do que aos estudos.

Na juventude o desenho reaparece forte em sua vida. Ficou um pouco adormecido para voltar triunfal, ocupando seu espaço em todas as horas, seja de lazer ou de trabalho e atualmente virou sua profissão.   Esta é você que não se contenta em ser graduada em Designer e mantém uma bela sintonia com as artes gráficas e visuais, especializando-se na Escola “Casa dos Quadrinhos” em BH.

Bem vinda ao mundo dos desenhos, dos “quadrinhos”, da música, mundo lúdico que sempre lhe acompanhou!

Famílias fortes x comunicação

casal_maos

“Famílias fortes e estáveis formam o melhor quadro para o bem-estar de crianças e a fundamentação para que se tornem homens adultos e responsáveis”. Esta é uma clara conclusão após dezenas de pesquisas entre os Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Canadá e outras regiões de primeiro mundo.

E como chegar a ser uma família forte e estável?

Famílias fortes se comunicam e todas as pesquisas apontam que o principal problema que leva os casais à separação ou ao divórcio é a falta de técnica para assumirem e solucionarem seus conflitos. Estudos mostram, também, que não se pode evitar os conflitos dentro do matrimônio ou de um relacionamento. Eles sempre existirão em qualquer casamento e negá-los só piora a situação. Capacitar casais para lidar com seus conflitos, como fazem os países de primeiro mundo, pode trazer resultados, mas não é o que tem acontecido, como mostram as estatísticas.

Novamente vem a pergunta: e como se tornar uma família forte e estável?

Parece fácil e é fácil: um primeiro passo para a reestruturação de uma relação é a conscientização das verdadeiras dificuldades e necessidades pelas quais os casais se confrontam dentro de sua vida matrimonial; e um segundo passo consiste em buscar métodos que possam ajudá-los a superar tais dificuldades. Aqui entra a importância da comunicação e ao mesmo tempo as dificuldades e incapacidades de muitos casais de estabelecerem mecanismos para uma boa comunicação. E como resultado do não estabelecimento dessa comunicação, surgem os conflitos, fatores decisivos para a deterioração da qualidade dos relacionamentos e em consequência vem a separação e após o divórcio.

Para se formar uma “Família forte” é primordial que os parceiros busquem treinar habilidades de comunicação entre si. Seus futuros conflitos matrimoniais serão, em grande parte, determinados pela sua capacidade ou incapacidade de alcançar uma boa competência em se comunicar melhor. É passando pelas crises que fazem parte de um relacionamento e também pelos sucessos e momentos bem-sucedidos que o casal cresce em seu matrimônio e a família agradece!

Famílias de refugiados

refugiadosFamílias que merecem a nossa dedicação especial, o nosso acolhimento, a nossa ajuda.

E quem são essas pessoas em busca de acolhimento e proteção?

São crianças, jovens, adultos, idosos que, por motivos de guerra, perseguição religiosa, pobreza extrema ou desastres naturais não conseguem mais viver em seu país. Sentem que, fugir é cada vez mais a opção para sobreviverem. É visível como o corpo familiar dos refugiados é dramaticamente desmembrado, entre quem parte e quem permanece, à espera de um regresso ou de voltar a reunir-se.

A ajuda e o refúgio que essas pessoas buscam, podem ser encontrados em você, em todos nós que, se tivermos um olhar acolhedor e um coração fraterno, seremos capazes de assumir um compromisso e dar um passo comprometedor, por menor que seja, rumo ao acolhimento dessa enorme família que é a expressão do temor nos dias de hoje.

O encontro com um novo país e com uma nova cultura torna-se muito mais difícil quando não existem condições de acolhimento e aceitação entre os povos.

Precisamos abrir nossos corações e ajudar, acolher de verdade. O primeiro passo já aconteceu. Você leu este pequeno texto. Há muito a fazer. Vamos “dar um gesto de boas vindas” às famílias de refugiados, no Brasil, em seu país, ou ao seu lado. Elas deixaram tudo para trás, menos a esperança.

 

Definindo Família

Inúmeros são os sentidos do termo família.

No sentido amplo, o termo abrange todos os indivíduos ligados pelo vínculo da consanguinidade ou da afinidade.

Na acepção lata, além dos cônjuges e de seus filhos, abrange os parentes da linha reta ou colateral, bem como os afins (parentes do outro cônjuge).

Na significação restrita é a família, não só o conjunto de pessoas unidas pelos laços do matrimônio e da filiação, ou seja, unicamente os cônjuges e a prole, mas também a comunidade formada por qualquer dos pais e descendentes, independentemente de existir o vínculo conjugal, que a originou. Assim, família não só é a descendente do matrimônio, como a oriunda da união de fato.

Ainda, a família atual em muito difere das antigas formas no que concerne a suas finalidades, composição e papel de pais e mães. Dias (2009) define a entidade familiar como aquela disposta em uma estruturação psíquica em que cada um ocupa um lugar e possui uma função (pai, mãe ou filho), sem, no entanto, estarem necessariamente ligados por laços sanguíneos.

Como bem podem ver, não é fácil definir “Família”. Hoje a família não é mais entendida apenas como decorrente de laços consanguíneos – como já citado – ou de matrimônio, mas se vale principalmente das relações de afetividade entre os entes que a compõem, e com fundamento nessa concepção, o Estatuto das Famílias pretende a legitimação de todas as formas de entidades familiares, desde as conjugais às parentais.

Bem, é sobre estas e todas as formas de famílias que este blog pretende, a cada post, falar numa abordagem simples e objetiva, levando o leitor a refletir sobre as famílias e famílias de hoje se readaptando à realidade do mundo moderno.

Novos horizontes

sofa-e-vinhos

Uma crônica para meu primeiro post

Um lugar aconchegante, pensamento livre, vontade aguçada! Assim está ela, no sossego do seu lar, companhia mais que presente de seu companheiro de todas as horas – seu marido – que lhe ajuda a sonhar a nova vida, controlando-a da aguçada vontade de voltar à ativa, ao trabalho.

Sonhar juntos e confortavelmente encaixados num dos aconchegantes sofás da sala de sua casa, é o que ela vive no momento.

Vendo a vida passar? Não! Vivendo a vida que merece após tanta dedicação ao trabalho que a edificou, formando-a  profissional responsável e mãe amante do lindo lar que formou. É no equilíbrio desse viver digno que, hoje, ela começa a aproveitar a tão sonhada “aposentadoria!”.

Parece careta e sem perspectiva essa nova vida? Nem um pouco. É agora que ela começa a cuidar de si mesma, curtindo a cama que lhe proporciona levantar sem hora marcada, saborear, sem correrias, um delicioso café.  Até as frutas parecem mais doces… e mais colorida a rotina do dia a dia. Ah… a academia!!! Essa a acaricia cuidadosamente, proporcionando-lhe saúde, bem estar e muita adrenalina boa!

À noite, como não assistir a um bom filme ao lado de seu companheiro, enquanto a cama os espera para uma bela noite de um dia que se foi?