
“O amor de Deus excede a todo desenho humano”. Li esta frase em um livro do grande teólogo inglês James Alison. O autor, em uma de suas passagens, discorre sobre a inclusão e a exclusão das “pessoas que atualmente chamamos de gay” e foi muito feliz ao colocar que o amor de Deus excede a todo desenho humano. Soou forte, profundo e, ao mesmo tempo, tão leve e muito me impressionou. Fiquei refletindo… Se soubéssemos absorver um pouco das formas de amar, o mundo seria outro.
Confesso que não é fácil falar ou debater sobre ‘homossexualidade’ se não sairmos do campo de um ‘nós versus eles’ e entrarmos em outro, o do ‘nós versus nós’, reconhecendo que todos somos iguais, que todos merecemos o respeito, que todos merecemos amar e que ninguém é melhor que ninguém. Nem aos olhos do mundo, muito menos aos olhos de Deus.
Quando a questão é homossexualidade, reina um clima polêmico em muitos lugares: escolas, lares, ambientes de trabalho, Igrejas etc. Quantos lares se dissolvem ao descobrir e discordar que um de seus filhos é homossexual. De início, se essas famílias com filhos gays mergulhassem no trabalho, mesmo que lento ou doloroso, de se verem livres de ressentimentos, homofobias e preconceitos, descobririam que as dores, e não só as alegrias, nos ensinam coisas excepcionais! Descobririam, ainda, que toda família é abençoada por Deus e em qualquer situação existencial, gay ou não, somos todos amados por Ele e “esse amor excede a todo desenho humano”. Filho nenhum, ou qualquer pessoa que seja, deve ser colocada em extremo sentimento de rejeição pela sua condição de homossexual. Imaginem um filho ou filha assombrados pela rejeição familiar por sua condição de gay, perdendo tudo que poderia lhe dar uma “sensação de pertencimento” – ou seja, perdendo sua própria família ao ser excluído dela!
Óbvio que não é fácil nem para os pais e nem para o filho ou filha ‘gay’ continuar vivendo num campo minado de meias verdades, de silêncio medroso. E, sim, saudável é para todos, aprender a viver esses assuntos de maneira adulta, à luz da verdade, honesta e serenamente. Ninguém deve habitar o espaço do ódio ou do preconceito a ponto de rejeitar, excluir ou ignorar um membro de sua família ou qualquer pessoa por ser um homossexual. Para tanto, é essencial focar no que é estritamente humano, ou seja: amar sem condições. Afinal, somos todos iguais: negros, brancos, pardos, homens, mulheres, homossexuais, heterossexuais, feios ou bonitos.
Que as famílias com filhos/filhas ‘gays’ não parem no ressentimento e jamais sintam que tal condição representa o fim, mas um novo começo com mais união, diálogo, compreensão, inclusão e com um olhar para a vida sem preconceitos.