Famílias em segunda união

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A todo momento nos deparamos com um grande número de casais  que se uniram pelo sacramento do matrimônio, válido ou não, consumaram sua união e se separaram constituindo uma nova família. Esses casais em segunda união, não raro, se excluem da sociedade, da comunidade de sua igreja e do convívio com seus amigos por desconhecerem ou por receberem orientações fragmentadas e nada acolhedoras acerca das mudanças culturais que influenciaram e ainda influenciam na estrutura familiar.

Sabemos que a dinâmica da estrutura familiar se modifica a cada dia, principalmente pelo ingresso da mulher no mercado de trabalho, pela influência da modernidade que valoriza demasiadamente o individualismo, a competição e ainda pela “sexualidade desvinculada da geração de filhos”. A sexualidade, muitas das vezes, torna-se compensadora e o casal esquece que o companheirismo e a amizade são fundamentais para a estrutura familiar. Cria-se um mundo em que tudo é possível, em que a modernidade vem em primeiro lugar, e esquecem que tais mudanças afetam internamente os membros da família, modificam os papeis domésticos, a sexualidade, deixando de lado a fecundidade. A geração de filhos, por exemplo, está sempre condicionada à condição financeira do casal – ou seja, filho tornou-se custo, despesas.

De cultura a cultura, a família vem assumindo ampla gama de formas. No Brasil a maioria das formas familiares ainda são monoparentais, chefiadas por mulheres, no entanto, com toda variação de cultura, a família não está desaparecendo, e sim, estamos diante de um quadro social de mudanças que afetam significativamente o núcleo familiar e o rumo de sua vida doméstica.

Tantas transformações sociais contribuíram no papel da mulher e do homem na família. O casamento deixou de ser duradouro e é amparado pela separação conjugal – o divórcio. E, mesmo que o modelo de união eterna seja considerado o ideal para muitos casais, outros já não acreditam na sua indissolubilidade, muito menos na obrigatoriedade de manterem um casamento insatisfatório e sem amor. Nesse momento, a separação acontece sem que nenhum dos dois, em sã consciência, tenha se casado para separar ou divorciar-se. A dor vivida com a ruptura conjugal deixa toda a família invadida pelos sentimentos de perdas e de fracassos, em especial os filhos que se recusam a aceitar a separação, apesar de, com o tempo se adaptarem à nova família.

Com o divórcio, muitos casais recomeçam uma nova vida conjugal e familiar. Está formada a família em segunda união que se esforça para estabelecer, à medida do que lhe é possível, uma aproximação do “ideal de família constituída por pai, mãe e filhos”. Forma-se com mais responsabilidade e maturidade de vida e com muitos desafios a vivenciar, como a construção de uma nova relação familiar com características próprias e com dois núcleos familiares, o da família anterior e o da família atual.

 A ruptura nas relações entre as duas famílias existe, sobretudo na conjugal, mas sem anulação do que foi construído e vivido.  Há também a dificuldade em estabelecer vínculos com a família em segunda união, até mesmo pela incerteza nos papéis dos membros de tal família, incluindo a falta de nomenclatura como padrasto, madrasta, irmãos, irmãs, namorado da mãe ou do pai, filho ou enteado e outros mais. Essa dificuldade aumenta quando a família em segunda união age como se a primeira família não tivesse existido, querendo se organizar como se fosse a primeira. Tal atitude pode condená-la ao fracasso.

Diz Cristiane E. Blank “O matrimônio não é imutável, mas sujeito a todo um quadro de influências sociais e históricas”. Vivemos a crise da modernidade que, “se revelou, antes de tudo, na falência das promessas modernas de liberdade e igualdade ou de progresso em favor de todos”.

Fato é que, a pós-modernidade trouxe transformações estruturais profundas deixando o matrimônio de hoje muito mais difícil.

Sabemos que a condição humana está sujeita à fragilidade e ao fracasso. No entanto, acolher com respeito os casais em segunda união é dever de todos nós. Nunca deixar que se sintam apartados da sociedade por sua condição de divorciados porque não são indignos, e, sim, promover a participação desses casais na sociedade, na comunidade de sua Igreja, com zelo e cuidado que toda família merece. Que os casais em segunda união possam encontrar alento e esperanças no seio de sua família e na comunidade em que vivem.

O olhar e a medida da caridade ajudará a não esquecer que se está sempre diante de pessoas marcadas por problemas e sofrimentos”.

Mães solteiras “mães solo”

MAE e filha - mãe solteira

Nesse mundo que chamamos de moderno, mulheres ainda sofrem preconceitos por serem “mães solteiras”. E isso é uma lástima porque, mãe é sempre mãe e nunca existiu a categoria de mãe solteira!   Uma mulher pode ser feliz mesmo que não tenha constituído uma família tradicional. E muitas são as “mães solo”, incluindo as divorciadas que ficam sozinhas com seus filhos, passam por momentos de insegurança, desafios, medos e até pressão social e, no entanto, nunca desistem de ser felizes, de educar seus filhos, de torná-los cidadãos para o mundo.

Alguém já ouviu a expressão “pai solteiro”? Claro que não. Então, não podemos ignorar que, em pleno século XXI, o velado preconceito às mães solteiras é evidente, seja no momento em que elas se candidatam a um emprego e encontram dificuldades por serem mães solteiras, ou quando procuram por um relacionamento verdadeiro, um parceiro que a amará e a ajudará a criar o seu filho, – e muitos são os filhos, nos dias de hoje, que crescem com um só de seus progenitores!

Fato é que, a maior parte dos homens tem medo de se relacionar com uma mulher que já tenha filho, seja para não assumir o filho de outro, seja por medo da chacota de seus amigos, pelo receio de não saber qual o seu papel na educação da criança, ou ainda, por causa dos tempos atuais que os levam a um individualismo tamanho, que os faz enxergar o outro como um incômodo. Porém, esquecem que, quem ama de verdade jamais vai encontrar empecilho em um serzinho como uma criança.

Não podemos negar que há em nosso tempo uma cultura do provisório, do descartável. As pessoas passam de uma relação afetiva para a outra numa rapidez assustadora e esquecem, por vezes, que dessa relação nasceu uma criança que inspira cuidados, que precisa crescer ao lado de seus pais, que precisa de amor e de uma família. Criança alguma pode ser exposta ao abandono que comprometa seu desenvolvimento pessoal.

O que precisamos todos é de evoluir como sociedade, como seres humanos e promover o amor, a doação, a entrega, ou seja, amar verdadeiramente sem reservas e sem preconceitos.

 

Flerte com a vida

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Dores, desencontros, dores de amor!!?

Seja sincera consigo mesma, ainda que eles sejam tão delicados em dizer o que sentem ou não sentem. Histórias de renúncias são todas iguais, porém, nada de insistir em permanecer nelas enquanto sombrías, tristes, ou desencantadoras. Ao invés disso, abra-se para o novo, para o que se escancara ante seus olhos.

Flerte com a vida, cheia de sonhos reais que se lhe apesenta, e case-se com ela.

O riso

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O riso é belo, é espontâneo. É a entrega total da inocência. Ele afaga, acalma, dá o perdão. Surpreende aquele que não o esperava e até ao que sorriu.
Sorriso largo, sorriso solto, alto, baixinho, amarelo, leve, todos passam uma mensagem oculta ou esperada que encanta e ilumina.
Não vocifere pelos cantos deixando a alegria virar a esquina. Uma boa dose de risadas só lhe fará ficar de bem consigo mesma. Abra-se para o riso que a vida lhe sorrirá também e lhe será gentil!

A família e o alcoólatra

família e o alcoótatra

Tristeza… esperança… inocência… Como saber? Inocência talvez seja o olhar de uma criança ao ver de tão perto o estado de embriaguez em seu pai, sua mãe ou em um ente querido, tão próximo e tão longe ao mesmo tempo, considerando o estrago que uma dependência química pode acarretar em um indivíduo e consequentemente em toda sua família.

Falo um pouco, neste post, do uso abusivo do álcool – coisa que a criança nem sabe o que é, mas sente.

Aquele que busca o álcool é sempre impulsionado pela busca do prazer imediato, pela simples curiosidade ou talvez para permanecer em um grupo de amigos e se autoafirmar perante eles que, do álcool já são dependentes. Contudo, é preciso conhecer e acreditar no risco de se tornar um dependente a cada gole, uma vez que a exposição repetida a essa droga facilita o desenvolvimento da dependência.

Instalada a dependência, já não se pode mensurar o sofrimento dos filhos – crianças principalmente – ou adolescentes que convivem com algum parente alcoólatra. E é notório que elas estão mais sujeitas a problemas emocionais do que crianças não expostas à convivência com alcoólatras. Laços afetivos e até conjugais se desfazem todos os dias devido aos traumas, medos e embates que se prolongam por anos a fio, dentro de uma relação, devido ao uso abusivo do álcool.

Fato é que, uma dependência química adoece física, psíquica e socialmente o indivíduo dependente, e adoece emocionalmente toda sua família. Muitas dessas famílias sucumbem quando um de seus membros é alcoólatra, principalmente quando este não se ajuda e nem se deixa ajudar, passando em branco por oportunidades que o convida a se recriar, a se refazer, a se curar. Violência familiar, infidelidade conjugal e doenças derivadas do álcool são algumas das consequências negativas do uso abusivo dessa droga. Comprovado está, que grande parte do setor de ortopedia dos hospitais é ocupada por acidentados alcoolizados, todos os dias, e mesmo assim, a família muitas vezes se vê impotente ante um dependente químico em seu meio. No entanto, ainda é na família o lugar onde são assegurados o afeto, o amor e o acompanhamento junto ao tratamento quando se é preciso.

O ideal é que todos soubessem usar, com grande moderação, a droga do álcool, e não como refúgio para tristezas, decepções e desânimos que supostamente serão amenizados pelo seu uso. Que o hábito não vá além de uma tacinha junto às refeições e que essas refeições sejam pausa que se faz para o que há de melhor: uma boa convivência em família!

 

Família estendida

Família estendida

Quando iniciei meu blog, em 2016, resumidamente tentei definir o termo “família”. E disse que a família não é mais entendida apenas como decorrente de laços consanguíneos ou de matrimônio, mas se vale principalmente das relações de afetividade e carinho entre os entes que a compõem. E, estudando e refletindo sobre as famílias  escrevo hoje sobre a “família estendida”, forma esta de família que se adapta muito bem aos tempos atuais.

Então, como definir a “família estendida”? Como ela surge? É formada por pessoas que temem a solidão ou que já a vivem? Não creio assim. Ou por pessoas que desejam um espaço de proteção, de companhia e ao mesmo tempo sentem medo de se encurralarem em uma relação que possa prejudicar suas aspirações pessoais?  Muitas questões e a resposta é simples.

O termo “família estendida” é utilizado quando uma pessoa se relaciona com outras pessoas além da própria família, e que fazem parte de seu convívio cotidiano, sejam parentes ou amigos, com uma interatividade regular, como se fosse sua segunda família. Vemos hoje, claramente, como fatores culturais colocam em risco a possibilidade de relações permanentes. Como exemplo, a cultura da posse e do gozo que vem gerando no seio das famílias, tensões, intolerância e agressividade, que nada mais é do que fruto de um individualismo exagerado.  Diante disso, a família vai se dividindo, se esfacelando e aquele que dela se desagrega acaba se projetando em outras famílias em busca da tão sonhada felicidade, da companhia ideal, da amizade perfeita, da acolhida que não teve no âmbito de sua família de sangue. Essa família que o acolhe ou que é escolhida por ele é chamada de “família estendida”.

Bom mesmo seria se todos refletissem um pouco sobre conflitos em família, para que seus membros não se dispersassem por tão pouco! Sabemos que, inevitavelmente, todo relacionamento e toda família enfrenta, com maior ou menor intensidade, momentos de conflitos. Esquivar-se ou evitar a comunicação destrói e esvazia qualquer relacionamento em crise, seja familiar ou não.  Portanto, é consenso que o amor, o perdão e o diálogo são as mais eficientes armas diante dos conflitos. Veja o que diz o escritor alemão Herman Hesse: “Sai sempre ganhando quem sabe amar e perdoar; não quem tudo sabe e tudo julga”. E o filósofo Nietzsche afirma: “Num relacionamento, cada um deve se perguntar: sou capaz de dialogar prazerosamente com essa pessoa até a velhice? Tudo o mais é transitório, pois as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar”.

Concluindo, “é na família que os milagres se fazem com o que há, com o que somos, com aquilo que a pessoa tem à mão”. Muitas vezes não é o ideal e nem é o que sonhamos, mas é a nossa, é a sua família. Vale a pena refletir e zelar pela família mesmo que ela, como um todo, tenha se transformado através dos tempos.

A família continua sendo um espaço sagrado que pode ser continuamente renovado e reconstruído.

Cuidadores

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“Cuidar de uma pessoa idosa e debilitada em nossa era altamente medicamentada é uma desgastante combinação de esforços tutelares e de recursos tecnológicos”.

 Diante da fala citada acima, pensemos como os fardos de um cuidador aumentaram consideravelmente em relação ha um século atrás. São remédios que precisam ser monitorados, reabastecidos, organizados; visitas constantes ao médico e, consequentemente, exames laboratoriais e de imagem vêm no pacote das obrigações diárias de um cuidador. Muitas vezes o cuidador se torna literalmente um assistente, motorista, cozinheiro, empregado, atendente, sem contar no desgaste ocasionado por cancelamentos ou mudanças de horários de consultas médicas que atrapalham todo o desempenho do cuidador. Simples viagens do dia a dia, ou pequenas folgas e visitas a familiares são impossíveis para um cuidador se ele não contratar alguém que fique com a pessoa da qual ele cuida.

E o que faz com que a vida valha a pena quando se está velho, fragilizado e incapaz de cuidar de si mesmo, se não fossem esses anjos cuidadores?

Depois que alguém perde sua independência física, principalmente se é um idoso, torna-se quase impossível uma vida digna sem a presença constante de um cuidador. Quão difícil deve ser a guerra para alimentar um idoso de cem anos, um diabético que come biscoitos e pudins clandestinamente causando uma elevação em sua glicose, uma senhora de Parkinson, que insiste em ignorar sua dieta com restrição de alimentos pastosos…

Fato é que, a maioria das pessoas não está preparada para a dependência e não é a morte que as assusta e sim a perda da audição, da memória, dos amigos, da vida saudável que levou. Com sorte e constantes cuidados, incluindo os anjos cuidadores, é que as pessoas conseguem viver bem a velhice.

Segundo o psicólogo Abraham Maskow as pessoas têm uma hierarquia de necessidades retratada como uma pirâmide. Na base estão suas necessidades básicas, essenciais para sua sobrevivência, como: comida, água e ar e, para sua segurança, leis, ordem e estabilidade. Acima está a necessidade de serem amadas e fazer algo maior, alcançar metas pessoais, serem reconhecidas e recompensadas por suas realizações. O fato é que a segurança e a sobrevivência permanecem como suas metas primárias e fundamentais na vida e não se tornam menos importantes quando suas capacidades se tornam limitadas!

Quando as pessoas chegam à segunda metade da vida adulta, é fato que suas prioridades mudam. A tendência da maioria é reduzir o tempo e esforço que dedicam às realizações pessoais. Pessoas mais jovens preferem conhecer pessoas novas e estar no meio delas. As mais velhas preferem o oposto.

Estudos mostram que, conforme envelhecemos, passamos a interagir com um número menor de pessoas e nos concentramos mais em passar o tempo com nossa família e amigos próximos. Enfocamos o “ser” em vez do “ter”, e o presente mais do que o futuro. Entender essa mudança é fundamental para compreender a velhice, afinal essas mudanças não acontecem por acaso. Algumas teorias argumentam que elas refletem a sabedoria adquirida com a longa experiência de vida. E há as que argumentam que a mudança no comportamento é imposta aos idosos e não reflete o que no fundo eles querem. Será que o mundo os inibe pelo simples fato de serem velhos e que, em vez de lutar, preferem se adaptar ou desistir?

Não é o que penso ou quero para mim, quando eu estiver bem velhinha! Vejo idosos, longe de serem infelizes, exibindo emoções positivas conforme envelhecem. Mesmo passando por privações e aflições deixam essas emoções positivas e negativas se misturarem e se dissolverem, e continuam a viver um estado emocional satisfatório. É assim que quero viver, e “Viver é uma espécie de habilidade”.

O tempo vai bater à porta de todos nós e haverá uma fase da vida em que não poderemos mais nos virar sozinhos. Que tenhamos a felicidade de encontrar cuidadores com as qualidades dos que mencionei no início do artigo, que nos ajudarão a ver que a vida continua valendo a pena mesmo diante das debilidades e fragilidades que a velhice insiste em trazer na bagagem. Cuidadores que nos mostrarão que existe felicidade na velhice e que serão essenciais para ajudar-nos a não perder o entusiasmo e a leveza da vida.

VOOS NECESSÁRIOS

Aeroporto, Transporte, Mulher, Menina

No mundo moderno de hoje a tecnologia aproxima todas as pessoas – isso é fato e muito bom. Fato também é o ciclo da vida, ciclo querido e esperado pelos filhos, sofrido e temido pelos pais, ou seja, o momento em que os filhos crescem, partem e deixam seus ninhos. Alçam voos seja para estudar, trabalhar, construir sua família ou simplesmente viajar, conhecer o mundo.

Tendo um filho ou vários, partirá um, partirá o outro e depois o outro, tornando a vida dos pais, por vezes, sofrida com aquela sensação de perda. Para muitos pais é isso mesmo que acontece. Vivem este ciclo de forma dramática, chegando mesmo a pensar que perderam seus filhos para sempre, o que não é verdade se refletirem que filhos nascem e crescem para o mundo. Melhor seria pensar que seus filhos cresceram e sonham, e sonham acordados.  Que partiram, mas à procura de novas experiências. Que eles observam e desafiam. Que olham com profundidade e não apenas para a superfície, que querem voar e que não querem voos rasantes. São voos necessários.

Que mães e pais saibam preparar seus filhos para esse voo rumo à independência física e emocional. Que mães abram suas asas e deixem seus filhos partirem e experimentarem o mundo lá fora, para que cresçam e se tornem plenos e realizados. Isso é amor!  Amem seus filhos e os deixem livres – claro que, aconselhando-os e ajudando-os quando necessário e nunca restringindo-os em suas escolhas.

Uma coisa é certa: o desapego é necessário. Pais que criaram seus filhos e não sabem lidar com o seu crescimento, não aceitam,  sua partida, vão sofrer. Aqui entra a coragem de aprender a amar à distância, compreender que os filhos crescem e que cada um é único, que não podemos tomar decisões por eles e que somente eles poderão aprender com suas escolhas, seus erros, seus acertos.

TEMPO, TEMPO, TEMPO!

TEMPO relógios

O tempo!!! Ah… como a gente o procura o tempo todo; o quer a todo momento; deseja-o mais que o tem. E ainda tem gente que reclama do tempo –  tempo ruim, tempo quente, chuvoso, tempo frio.

Ele é tão cobiçado, quanto criticado! Tão querido… quanto esticado… “Vou ver se arranjo um tempo”, responde ela a um convite para uma noite de lazer. “Não tenho tempo”, retruca o outro mais ocupado que todos. ”Falta-me tempo”, responde uma professora atarefada com provas para corrigir. “Quisera ter tempo para noitadas com você! Mal tenho tempo para dormir… quanto mais para curtir”, comenta alguém.

E assim o tempo passa para muitos despercebido, para outros curto demais. Para mim, só sei dizer que ele é precioso a qualquer tempo. Eu o curto desde criança, brincando. Adolescente flertando, passeando, matando aula, matando o tempo. Na juventude, estudando, namorando, curtindo o tempo. Adulta, trabalhando, contando o tempo para ter tempo de me divertir, passear, casar, ter filhos e não apenas tempo para trabalhar!

Hoje, escrevendo minhas crônicas, gosto de pensar no tempo que sonhei quando mais jovem, com o tempo que vivo hoje – o melhor tempo. Tempo para fazer o que quero sem debruçar no cansaço. Dedicar-me ao lazer, academia, viagens, sem me ancorar na zona de conforto, dedicando também um pouco do meu tempo ao outro, tão necessitado do nosso tempo!

TEMPO – vivo o melhor tempo da minha vida e ainda dedico um bom tempo para apreciar essa vida!

Pai e Mãe ao mesmo tempo

Família sem a mãe

Às vezes a vida é uma “perturbação da ordem”, quando tudo parece bem, você se vê numa angústia grande – aquela de quem perdeu a pessoa amada. Este é um desafio nada fácil, que a vida impõe, quando uma mãe morre prematuramente deixando o pai com a função de mãe.

O pai se vê obrigado a mergulhar na sublime aventura de ser pai e mãe ao mesmo tempo, e a não deixar que a ausência da mãe atrapalhe estruturalmente a vida de seu filho.  Mas ele consegue impor limites como pai e como mãe?

Troca de fraldas, choro, risos, fome, são mensagens que uma criança passa a todo momento… no entanto, sabemos que a mãe não é a detentora única da habilidade de cuidar e educar um filho e não é só do jeito dela que a criança fica bem. O destino se encarregará de iluminar esse pai porque, o tempo vence qualquer adversidade por meio do amor, da responsabilidade, e a paternidade responsável não faltará a um pai que ama verdadeiramente.

Mas o contrário também pode acontecer – pais, diante de tamanha perda e ante seus sonhos quebrados – podem se ver impotentes para educar seu filho sem a presença da mãe, pois em seu mundo de pai estava sua esposa e mãe de seu filho e educar é diferente de criar. O homem sempre foi fisicamente mais forte, mas quem engravida é a mãe. Logo, por mais eficiente que um pai seja, se ele não tiver saúde emocional para superar dificuldades, poderá se sentir impotente para suprir a ausência da mãe e o seu mundo desabar.

Enfim, perder a mãe de seu filho pode ser uma experiência particularmente difícil, daquelas em que o tempo pára querendo engolir o passado e o futuro. Que nessa hora os familiares se mostrem e se apresentem com seu afeto, com sua proximidade, ajudando esse pai a se adaptar a cada uma das fases do seu luto.

O enfrentamento da perda e questionamentos de o porquê ter acontecido com ele, são respostas que virão com o tempo, com um dia de cada vez, com o aprendizado de cada momento do mundo novo que esse pai vai enfrentar.