
Quando iniciei meu blog, em 2016, resumidamente tentei definir o termo “família”. E disse que a família não é mais entendida apenas como decorrente de laços consanguíneos ou de matrimônio, mas se vale principalmente das relações de afetividade e carinho entre os entes que a compõem. E, estudando e refletindo sobre as famílias escrevo hoje sobre a “família estendida”, forma esta de família que se adapta muito bem aos tempos atuais.
Então, como definir a “família estendida”? Como ela surge? É formada por pessoas que temem a solidão ou que já a vivem? Não creio assim. Ou por pessoas que desejam um espaço de proteção, de companhia e ao mesmo tempo sentem medo de se encurralarem em uma relação que possa prejudicar suas aspirações pessoais? Muitas questões e a resposta é simples.
O termo “família estendida” é utilizado quando uma pessoa se relaciona com outras pessoas além da própria família, e que fazem parte de seu convívio cotidiano, sejam parentes ou amigos, com uma interatividade regular, como se fosse sua segunda família. Vemos hoje, claramente, como fatores culturais colocam em risco a possibilidade de relações permanentes. Como exemplo, a cultura da posse e do gozo que vem gerando no seio das famílias, tensões, intolerância e agressividade, que nada mais é do que fruto de um individualismo exagerado. Diante disso, a família vai se dividindo, se esfacelando e aquele que dela se desagrega acaba se projetando em outras famílias em busca da tão sonhada felicidade, da companhia ideal, da amizade perfeita, da acolhida que não teve no âmbito de sua família de sangue. Essa família que o acolhe ou que é escolhida por ele é chamada de “família estendida”.
Bom mesmo seria se todos refletissem um pouco sobre conflitos em família, para que seus membros não se dispersassem por tão pouco! Sabemos que, inevitavelmente, todo relacionamento e toda família enfrenta, com maior ou menor intensidade, momentos de conflitos. Esquivar-se ou evitar a comunicação destrói e esvazia qualquer relacionamento em crise, seja familiar ou não. Portanto, é consenso que o amor, o perdão e o diálogo são as mais eficientes armas diante dos conflitos. Veja o que diz o escritor alemão Herman Hesse: “Sai sempre ganhando quem sabe amar e perdoar; não quem tudo sabe e tudo julga”. E o filósofo Nietzsche afirma: “Num relacionamento, cada um deve se perguntar: sou capaz de dialogar prazerosamente com essa pessoa até a velhice? Tudo o mais é transitório, pois as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar”.
Concluindo, “é na família que os milagres se fazem com o que há, com o que somos, com aquilo que a pessoa tem à mão”. Muitas vezes não é o ideal e nem é o que sonhamos, mas é a nossa, é a sua família. Vale a pena refletir e zelar pela família mesmo que ela, como um todo, tenha se transformado através dos tempos.
A família continua sendo um espaço sagrado que pode ser continuamente renovado e reconstruído.