Mundo e leveza

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E se a estrada fosse mais livre, mais leve?… Livre de acidentes, excessos de veículos, entulhos, inocentes animais atropelados e largados pelas vias, luzes fortes ofuscando a visão de quem dirige seu veículo e também dos transeuntes que usam, para se locomover, seus prestativos pés!

E se os motoristas fossem mais educados?… Respeitando as faixas e placas sinalizadoras, dirigindo sem fazer uso de drogas, sem falar ao telefone – como o fazem sem nenhuma cerimônia – estariam respeitando a vida de seus companheiros de estrada e a sua própria.  Não seria querer demais, e sim o natural, o certo, o mundo fluindo com mais leveza.

Viajantes ansiosos por chegarem ao seu destino e eis que, à frente, a consequência de um trânsito lento, ruídos de freios, apitos de ambulância, viaturas às pressas e, sem dúvida, o corpo de bombeiros fazendo seu triste serviço – resgate de vítimas de mais um acidente – consequência de um trânsito demasiadamente desenfreado.

Alguém vai chorar seu filho, seu irmão, seu parceiro, seu amigo, seu parente querido.

Triste, muito triste esse mundo apressado e sem leveza!

Entediada

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Assim eu me levantei: entediada, sem norte, cansada. Não é pouca coisa, mas tão logo tomei um delicioso café, bateu-me aquele ânimo vindo não sei de onde! Pus-me de pé e disse para mim mesma – saia da toca, vai caminhar, olhe ao lado, em frente e siga! Coloquei a malha, tênis, filtro solar que não podia faltar e saí sozinha pela rua afora. A princípio senti-me estranha pelo fato de não gostar de estar sozinha. Contudo era preciso. Preciso por quê? Porque tenho de vencer esse “quase” medo de estar só, sem a companhia do meu marido, filhos ou amigos. Estar só sempre me assustou. É como se eu dependesse do outro para me sentir plena.

Caminhei, caminhei e fui vendo que não tinha mistério ou porque ter medo de estar só. Pelo contrário, me senti muito bem comigo mesma, com o barulho dos carros nas ruas, com as pessoas passando apressadas, muitas sozinhas como eu.

O cheiro do pão assando ao passar em frente à padaria do bairro encheu-me de mais ânimo. Aspirei aquele cheiro quentinho e segui em frente. Tudo era bom. Nem mesmo o sol esquentando a minha cabeça me incomodava. Pude reparar em tudo pelas ruas e calçadas – coisas simples que nos enchem os olhos como as flores e matos nascendo pelas encostas dos muros, pessoas lavando calçadas, crianças indo para a escola balançando suas merendeiras e até cachorrinhos soltos farejando alguma comida.

De repente me veio à mente a célebre frase do pensador Thomas Merton: “homem algum é uma ilha”. Continuei meditando sobre esta frase e a partir dela, sobre os valores da liberdade e como esse valor precisa ser trabalhado em mim e não somente em mim, pois a liberdade é um dos valores que sustenta a vida do espírito. E o meu espírito naquele momento constatou que uma simples caminhada comigo mesma me levou a pensar de maneira livre, leve, positivamente e a entender que não posso ser uma ilha cercada de mim mesma e que, mesmo estando sozinha, nunca estarei só. Constatei, ainda, que deslocar a pé pode ser uma atividade simples e até curativa e porque não dizer mágica!!?

Março/2017