O que é a saudade? Uma forma de presença? Um reviver o passado? Viver de novo o que foi bom? Sim. Tudo isso e muito mais é a saudade. Essa palavrinha doce e leve, suave ao pronunciá-la.
Quem não vive uma saudade? Ah… Através da saudade, consigo ver-me dentro de minha infância. São vários e lindos momentos que não se apagarão e que saudosamente gosto de puxá-los da minha memória e transportá-los para tão perto de mim, que chegam a parecer presente e não passado; e isso é muito bom! Correndo pelas ruas, seguindo a enxurrada, jogando bola, peteca, brincando de passar anel, de roda… Ah, saudade, como gosto de você tão presente e em momentos tão ternos de minha vida!
Adolescente, vejo-me tão saudosa de minha escola…, daquelas carteiras da sala de aula, de madeira bem lisinha, covinha para a borracha e caminha para o lápis. E a sineta, como me esquecer daquele toque vivo, chamando-nos para o melhor de tudo, o recreio? E assim é que eu, através da saudade, vejo a minha saudosa carteira atravessando a minha infância, adolescência e juventude.
Saudade doida que bate no peito, também, são os momentos felizes ao redor da mesa de jantar da nossa casa (casa de mamãe e papai), dividida direitinho para 14 irmãos. Isso mesmo! Éramos oito meninas e seis meninos. Aquele banco comprido que acolhia a todos com sua táboa larga e igualmente lisinha.
Noites de luar… Quantas eu vivi… e elas, saudosamente me vêm à memória junto à minha singela e bela juventude. Saudade da fazenda do meu pai – Pedra Redonda era o seu nome – talvez pelas grandes pedras fincadas no alto das montanhas daquele lindo lugar, onde corria um rio largo e amigo. Nele, eu e minhas irmãs tomávamos banho, sol no rosto; animais correndo, bezerro mamando, pés de laranja e jabuticaba não faltavam ali! Quanta pureza e quanta saudade daquele tempo, daquela casa de escada enorme e alta de dar medo de cair. E que saudade mais sadia, mais desejada pode acariciar minhas lembranças? E como não amar essa saudade que me presenteia com tudo que foi bom em minha vida?
Venha, saudade! Quero senti-la sempre, sempre! Você que não tem janelas e nem portas e pode entrar sem bater e a qualquer hora!
15/01/2016


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